“Nunca fui tão humilhado quanto hoje (ontem), durante trinta anos de vida pública”, desabafa o vereador Djalma Araújo (PT), na tarde de ontem, durante depoimento dado ao escrivão do 1º Distrito Policial, do Centro de Goiânia. Araújo registrou Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por ameaça. Segundo ele, por ter se sentido lesado e desmoralizado diante de muitas pessoas após ter sido retirado da sede da Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA). “O diretor administrativo da SGPA, Pedro Alves de Oliveira me agrediu ao puxar pelo braço até que me retirasse pelo portão de acesso à rua e me ameaçou de linchamento, caso insistisse em continuar lá dentro”, disse.
O vereador relata que esteve na manhã de ontem na sede da sociedade, para audiência com o prefeito Paulo Garcia (PT), que na data cumpriu o tradicional dia de despachos na SGPA. “Estava lá com os antigos moradores de residências onde hoje é a construção do Parque Mutirama. Os permissionários estavam comigo para pedir providências de alojamento ao prefeito”, disse Djalma, na delegacia. O vereador contou que o prefeito saiu da sala onde despachava e foi pessoalmente falar com os antigos moradores para combinar tratar a questão em uma outra oportunidade. O prefeito enfatizou, segundo Djalma, que as atividades desenvolvidas ontem eram somente para tratar de assuntos ligados à agropecuária e indústria do campo.
Após isso, conforme o vereador, ele recebeu o convite para participar de uma reunião ainda na sede da SGPA, com representantes da agropecuária goiana e o prefeito Paulo Garcia. “Naquele momento eu senti que não ficaria mais lá. Disse que aquele não era o meu lugar e não me sentia a vontade. ‘Eu sou contra latifundiários e sempre lutei a favor da Reforma Agrária’, justifiquei. Nesse momento eu senti um solavanco no meu braço e me assustei”, recorda.
O vereador relata que o diretor Pedro Alves de Oliveira estava com a feição “tomada de ódio” o retirou do hall onde todos estavam. “Os moradores que me acompanhavam ficaram perplexos com o acontecido e, como eu, não entenderam nada daquilo”. Araújo relata que o diretor o retirou com puxões no braço esquerdo. Ele ainda conta que foi gritado por Pedro Alves para que saísse do ambiente. “Ele gritou duas vezes em alto e bom som, dizendo que era para eu sair do local antes de ser linchado. Nem no período em que lutei contra ditadura sofri tamanha opressão”.
O vereador acredita que o diretor tenha se sentido ofendido por dois motivos. “Uma é por eu sempre deixar claro que quero a mudança do Parque de Exposições Agropecuárias Pedro Ludovico de local. A região da Nova Vila não tem estrutura para receber uma festa desse tamanho. Outro motivo é ter usado a palavra ‘latifundiários’, até mesmo porque ele é um fazendeiro e criador de nelore”, desabafa.
VERGONHA
O parlamentar conta que se sentiu desonrado e com vergonha do que passou. “Nunca a minha honra foi tão violada como desta vez, nesse episódio. Havia muitas pessoas em volta, ninguém teve a mesma reação que ele. Fiquei envergonhado por mim em pelos outros que estavam próximos”. Djalma Araújo ainda relata que os permissionários do Mutirama saíram com ele da SGPA e foram até o portão que dá acesso à 5ª Avenida. “Eles não foram expulsos, só eu. Mas todos saíram quando viram aquilo tudo. Na saída o diretor ainda disse a um segurança que em hipótese alguma era para me deixar entrar mais naquele ambiente”.
“Estou abalado com tudo isso e como não é normal, procurei a delegacia para registrar o fato em busca de que a Justiça seja feita. Acho que ele trata o gado dele melhor que seres humanos”, conta o vereador, que fez alusão à frase de Chico Xavier, que diz: “Fico triste quando alguém me ofende, mas, com certeza, eu ficaria mais triste se fosse eu o ofensor”.
APURAÇÃO
O delegado Antônio André, plantonista do 1º DP, disse que o procedimento de investigação parte da denúncia do vereador, que assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por ameaça. Ele ressalta que o próximo procedimento é chamar as testemunhas que viram tudo acontecer e em seguida chamar o suspeito de ter ameaçado.
A reportagem tentou entrar em contato pelo celular com o diretor do parque citado na reportagem. Ele, no entanto, não atendeu às ligações e não retornou os recadps. Procurada para se pronunciar sobre o assunto, a Assessoria de Imprensa da SGPA preferiu não repercutir o caso.




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