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quinta-feira, 12 de julho de 2012

Cientistas calculam desaparecimento de animais por desmate na Amazônia


No pior cenário, 329 tipos de animais sumiriam de áreas específicas. Mamíferos, aves e anfíbios ainda serão afetados por devastação já ocorrida.


Uma metodologia desenvolvida por cientistas britânicos e americanos mede quantas populações de animais que vivem em determinados estados englobados pela Amazônia Legal podem desaparecer devido ao desmatamento no bioma.

No estudo publicado nesta quinta-feira (12) na revista “Science”, os pesquisadores conseguiram saber, por exemplo, quantos mamíferos, aves e anfíbios serão extintos em determinadas regiões devido ao desmatamento ocorrido entre 1978 e 2008.
Para isso, os pesquisadores da Imperial College e do Instituto de Zoologia, ambos de Londres, além da Universidade Rockefeller, dos EUA, utilizaram o conceito de “débito de extinção”, número que representa a diferença entre a expectativa de perda de biodiversidade e o que de fato já desapareceu na natureza.
A partir de informações de satélite fornecidas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que monitora o desmate mensal e o anual, os estudiosos conseguiram mapear a Amazônia, dividindo-a em 700 partes, e chegaram à previsão por unidade federativa.
Redução na biodiversidade
De acordo com o estudo, o desmatamento na Amazônia ocorrido entre 1978 e 2008 pode extinguir futuramente 78 espécies em seis estados. Neste período, de acordo com o Inpe, a Amazônia Legal perdeu 581.400 km² de vegetação nativa, uma área maior que o estado da Bahia.
Sem precisar quando e quais animais seriam afetados, os pesquisadores afirmam que 12 espécies de mamíferos, 13 de aves e três de anfíbios -- um total de 28 espécies animais -- poderiam sumir no Tocantins a partir de 2008, como resultado do desmate histórico. O estado é o mais afetado pela perda de biodiversidade em decorrência da redução da cobertura vegetal.
Maranhão seria a segunda região com maior declínio de animais, com o possível desaparecimento de 20 diferentes espécies a partir de 2008. Mato Grosso, Rondônia, Pará e Acre também sofrerão com a redução da população de espécies ou mesmo a extinção delas, segundo a estimativa.
Imagem aérea mostra desmatamento na Amazônia. Perda da cobertura vegetal no bioma pode acarretar na extinção de diversas espécies de animais. (Foto: Divulgação/Toby Gardner/Science)Imagem aérea mostra desmatamento na Amazônia. Perda da cobertura vegetal no bioma pode acarretar na extinção de diversas espécies de animais. 
Ação do homem 
Na perspectiva para 2050, em uma realidade onde os níveis de desmatamento atinjam índices superiores a 28 mil km² ao ano nos próximos 38 anos, até 329 espécies de mamíferos, aves e anfíbios podem desaparecer da Amazônia até a metade do século 21. Por isso, os especialistas recomendam a implementação -- e o cumprimento -- de políticas públicas voltadas para a preservação.
Outro cenário desenvolvido é com taxas de desmatamento baixas – assim como a de 2011, quando o bioma perdeu 6.418 km², menor índice dos últimos 23 anos. Neste modelo, ocorreria a perda de 69 espécies. Entretanto, haveria a chance de recuperação de outras populações graças a iniciativas de conservação.
Imagem de bicho-preguiça, espécie endêmica da Amazônia. Se nada for feito para conter a devastação, bioma pode perder até xx espécies de animais nos próximos anos. (Foto: Divulgação/Robert Ewers/Science)Imagem de bicho-preguiça, espécie endêmica
da Amazônia. Se nada for feito para conter a
devastação, bioma pode perder até 78 espécies
de animais nos próximos anos. (Foto: Divulgação/
Robert Ewers/Science)
De acordo com Thiago Rangel, doutor em Ecologia pela Universidade de Connecticut e membro do Departamento de Ecologia da Universidade Federal de Goiás, ações governamentais para manter a floresta em pé devem ser acentuadas na Amazônia Legal.
Segundo ele, o monitoramento de desmatamento e queimadas, reforçado por fiscalizações feitas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) aumentaram o número de sanções contra atividades criminosas.
“Temos que olhar para essas atividades e ver como podemos melhorá-las. A queda do desmatamento foi exemplar”, explica.
Rangel explica que as alterações no atual Código Florestal, que segue em discussão no Congresso, podem fomentar atividades ilegais na floresta.
“A questão da anistia a quem desmatou, por exemplo, seria uma forma de dizer que a lei anterior a esta em discussão não funcionava. O código em debate é um código de desmatamento”.

Para o doutor em Ecologia, apenas com essas medidas é possível "dar um calote no débito de extinção", ou seja, evitar a perda da biodiversidade causada pelo desmatamento.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Chico Bento pede à presidente 'Dirma' que vete o Código Florestal


Ilustrações do cartunista Maurício de Sousa foram divulgadas nesta terça. Presidente Dilma Rousseff tem até a próxima sexta para aprovar ou vetar lei.


O cartunista Maurício de Sousa divulgou nesta terça-feira (22) duas ilustrações com o personagem Chico Bento pedindo à presidente Dilma Rousseff que vete o projeto do Código Florestal.
O texto da nova legislação ambiental brasileira foi aprovado pela Câmara dos Deputados no mês passado e está sob análise da presidente, que tem poder de vetá-lo integral ou parcialmente.
Em um primeiro quadrinho, divulgado no Twitter de Maurício de Sousa, aparece apenas Chico Bento dizendo “Veta tudim, dona Dirma”.
Em uma segunda ilustração, outros quatro personagens da história em quadrinho – Rosinha, Hiro, Zé Lelé e Zé da Roça – aparecem junto ao pequeno caipira, que pede providências contra possíveis "impactos nas matas, nos rios e nos peixes".
Ilustração divulgada no Twitter do cartunista Maurício de Sousa mostra o personagem Chico Bento pedindo o veto ao Código Florestal. (Foto: Divulgação)Ilustração divulgada no Twitter do cartunista Maurício
de Sousa mostra o personagem Chico Bento pedindo
o veto ao Código Florestal. (Foto: Divulgação)
A mensagem diz “Licença, dona Dirma! A gente num intendi muito das coisas da lei mais intendi das nossa necessidade! I nóis percisa das mata, dos rio, dos peixe... I tá todo mundo achando qui isso vai sê mexido pra pior! A sinhora podi ajudá pra isso num acontecê? Nossa gente vai agardecê por toda vida! Eu juro!”.
Prazo
Dilma tem até a próxima sexta-feira (25) para apresentar eventuais vetos ou sancionar o projeto da forma como está. Nesta segunda-feira (21), O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse que a presidente está fazendo um “estudo hipermeticuloso” sobre o Código Florestal.
Desde que o texto do novo Código Florestal chegou à Casa Civil, no dia 7 de maio, a presidente tem se reunido frequentemente com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Na semana passada, por exemplo, as duas só não se encontraram na sexta-feira, quando Dilma viajou para São Paulo.
Em uma segunda ilustração, Chico Bento e sua turma deixam recado à presidente "Dirma". (Foto: Divulgação)Em uma segunda ilustração, Chico Bento e sua turma deixam recado à presidente "Dirma". (Foto: Divulgação)
Texto foi aprovado em abril
O texto aprovado na Câmara Federal incluiu pontos defendidos por ruralistas e sem as mudanças feitas a pedido do governo na versão que havia sido aprovada no Senado, principalmente em relação às obrigações na recomposição de áreas desmatadas em beiras de rio, conhecidas como Áreas de Preservação Permanente (APPs).
O texto aprovado pelos deputados manteve regra aprovada no Senado que obrigava os produtores a recompor vegetação desmatada em beiras de rio, numa faixa de no mínimo 15 metros ao longo das margens. O relator, porém, incluiu dispositivo segundo o qual a exigência de recomposição para pequenos produtores "não ultrapassará o limite da reserva legal estabelecida para o respectivo imóvel".
A reserva legal é o percentual de mata nativa que deve ser preservado nas propriedades privadas (varia de 20% a 80% do tamanho da terra, dependendo da região). O artigo de Piau visa evitar que a área de recomposição de APPs se torne muito maior do que a propriedade que poderá ser mantida pelo produtor.
A recomposição vale para quem desmatou até julho de 2008 e é uma alternativa ao pagamento de multas aplicadas aos produtores que produziram em APPs. A regra sobre a recomposição havia sido abolida no relatório do deputado Paulo Piau (PMDB-MG), mas foi reinserida pelo presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), o que foi considerado uma vitória do governo.

Ibama finaliza plano de retirada de madeira de Belo Monte


Objetivo é evitar comércio ilegal de madeira da Amazônia.
Usina hidrelétrica é uma das principais obras do governo federal.


Equipes do Ibama realizaram vistorias aéreas e terrestres nos canteiros da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira, no sudoeste do Pará. A ação foi realizada na semana passada, e teve como objetivo definir o plano de fiscalização da retirada de madeira dos locais que serão alagados pela obra.
Através de vistorias aéreas e terrestres, o Ibama verificou as rotas de escoamento da madeira da região, para poder acompanhar de perto a saída deste material de acordo com a lei, garantindo que o produto chegue ao mercado.
Além disso, o órgão esclarece que irá realizar fiscalizações em toda a madeira que for extraída do lugar antes de gerar os créditos no sistema de Documento de Origem Florestal (DOF), do Governo Federal, e do Sistema de Comercialização e Transporte de Produtos Florestais (Sisflora), do governo do Pará.
Trecho de floresta que foi suprimido para construção da usina hidrelétrica. (Foto: Divulgação/Greenpeace/Marizilda Cruppe)Trecho de floresta que foi suprimido para construção da usina hidrelétrica. (Foto: Divulgação/Greenpeace)
Com esta medida, o Ibama tenta evitar a retirada ilegal da madeira, além de impedir que os créditos gerados pelo produto cortado das áreas que serão afetadas pelo lago da usina sejam utilizados para esquentar o comércio ilegal de madeira no Pará. Para isto, serão feitas análises nas movimentações nos sistemas do DOF e no Sisflora.
"A ação completa de fiscalização, da retirada da madeira até seu consumo, é importante para garantirmos a legalidade da madeira extraída da área que será alagada na usina de Belo Monte", comentou o diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Ramiro Martins-Costa.
Obra
A hidrelétrica ocupará parte da área de cinco municípios: Altamira, Anapu, Brasil Novo, Senador José Porfírio e Vitória do Xingu. Altamira é a mais desenvolvida dessas cidades e tem a maior população, quase 100 mil habitantes, segundo o IBGE. Os demais municípios têm entre 10 mil e 20 mil habitantes.
Belo Monte custará pelo menos R$ 25 bilhões, segundo a Norte Energia. Há estimativas de que o custo chegue a R$ 30 bilhões. Trata-se de uma das maiores obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), uma das principais bandeiras do governo federal.
Apesar de ter capacidade para gerar 11.200 MW de energia, Belo Monte não deve operar com essa potência. Segundo o governo, a potência máxima só pode ser obtida em tempo de cheia. Na seca, a geração pode ficar abaixo de 1.000 MW. A energia média assegurada é de 4.500 MW.
Para críticos da obra, o custo-benefício não compensa. O governo contesta diz que a geração menor evita um alagamento maior e que a energia é fundamental para o país.

Greenpeace liga desmatamento no Brasil a produção de carros nos EUA


Produção de ferro-gusa utilizaria carvão extraído ilegalmente da Amazônia. Siderúrgicas do PA e MA venderiam matéria-prima do aço para montadoras.


Relatório divulgado nesta segunda-feira (14) pela organização ambiental Greenpeace liga o desmatamento ilegal na floresta amazônica do Pará e Maranhão à produção de aço voltada para o mercado automobilístico dos Estados Unidos.
De acordo com o estudo “Carvoaria Amazônia”, até 90% do ferro-gusa (principal matéria prima do aço e requer carvão vegetal) produzido na região de Carajás é exportado para siderúrgicas dos EUA, que fornecem, posteriormente, para grandes montadoras. Carajás engloba partes do Pará, Maranhão e Tocantins.
Nesta segunda, ativistas da ONG fizeram protesto em São Luis (MA) e subiram a bordo do navio cargueiro bahamense Clipper Hope, que realiza manobras na baía de São Marcos, para receber um carregamento de 30 mil toneladas de ferro-gusa.
O Greenpeace apontou no documento que ao menos duas guseiras brasileiras, uma instalada no PA e outra no MA, são responsáveis por essa produção, mas as duas movimentariam uma cadeia com ilegalidades como desmate do bioma, carvoarias com trabalho escravo e invasões de terras indígenas.
Segundo o Greenpeace, a partir de estudo realizado pela Universidade Federal do Pará, quase 60% da madeira que entra nos fornos de carvão são provenientes de desmatamento ilegal. Entretanto, a ONG não tem uma estimativa de quanto se perdeu de floresta até agora devido à indústria de ferro-gusa.
Estimativa apresentada no documento afirma que para produzir um metro cúbico de ferro-gusa são necessários 33,41 metros cúbicos de madeira seca.
Carvoaria que produz ferro gusa encontrada na Amazônia Oriental em sobrevoo feito pelo Greenpeace.  (Foto: Rodrigo Baleia/Greenpeace)Carvoaria que produz ferro-gusa encontrada na Amazônia Oriental em sobrevoo feito pelo Greenpeace. 
Pressões
A organização ambiental aponta que madeireiros ilegais têm pressionado áreas protegidas que incluem terras indígenas – como Awá, Alto Rio Guamá, Alto Turiaçu e Caru, além da reserva biológica Gurupi.
A ONG cobra das siderúrgicas que identifiquem se os fornecedores de ferro-gusa -- processado com carvão vegetal -- respeitam as leis ambientais brasileiras e realizam reflorestamento após supressão de mata nativa.
Além disso, pede que atitudes sejam tomadas pelos governos federal e estadual quanto à fiscalização de ilegalidades sociais e ambientais no setor, além de pedir a não aprovação das alterações no Código Florestal.
Outro ponto citado é a adoção de salvaguardas sociais e ambientais adequadas para instalação de plantações de eucalipto, além de apoiar pesquisas que melhorem a eficiência do carvão.
Aumento no consumo
Em abril, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou que nos últimos dez anos o consumo de carvão vegetal no Brasil aumentou 50%, o que causa uma pressão nos biomas.
A preocupação da ministra é que se nada for feito pelo setor para atender a demanda nos próximos anos, pode ocorrer uma maior supressão de floresta nativa no Cerrado, na Amazônia e na Caatinga. Segundo ela, 50% de todo carvão vegetal produzido no país vem de áreas plantadas e o restante de floresta nativa “não necessariamente desmatada de forma ilegal”
De acordo com dados preliminares de uma pesquisa realizada pelas ONGs WWF, Instituto Ethos, Fundación Avina e Repórter Brasil, até 2020 será necessário 1 milhão de km² de floresta plantada no país para suprir a demanda industrial.
É como se, nos próximos oito anos, as empresas plantassem eucalipto e outras árvores de crescimento rápido em uma área equivalente a mais de quatro vezes o tamanho do estado de São Paulo. Atualmente, o Brasil tem cerca de 70 mil km² de floresta plantada destinada à produção de carvão, papel e celulose.